Mensagens

Notícias do meu país

Ontem à noite a TSF noticiava a morte de muitos peixes no rio Zêzere, na zona da freguesia de Barroca. Nada de especial a assinalar. É algo a que estamos habituados.
Mas entrevistado o presidente da Junta de Freguesia, sobre as causas e sobre a fiscalização do curso do rio, disse-nos ele que era melhor falar às rádios, porque não conseguia nada, pelas vias normais, no pedido de fiscalização e de apoio aos responsáveis de Ministério do Ambiente.
Aqui está o desenrrascanço português face à inoperacionalidade do sistema...
ajp

ECONOMIA- A FRONTEIRA DA CULTURA

Mão amiga fez-me chegar este texto de uma conferência proferida pelo escritor Mia Couto, em Maputo, no passado mês de Julho.
Pela sua importância enquanto reflexão sobre a procura de uma identidade moçambicana, sobre o colonialismo, sobre as perspectivas para um futuro diferente e pramelhor dos moçambicanos, aqui fica a sua divulgação.
Aproveitem e divulguem este texto aos vossos amigos.
ajp



Economia- A FRONTEIRA DA CULTURA – Mia Couto – Maputo Julho 2003


Durante anos, dei aulas em diferentes faculdades da Universidade Eduardo Mondlane. Os meus colegas professores queixavam-se da progressiva falta de preparação dos estudantes. Eu notava algo que, para mim, era ainda mais grave: uma cada vez maior distanciação desses jovens em relação ao seu próprio país. Quando eles saíam de Maputo em trabalhos de campo, esses jovens comportavam-se como se estivessem emigrando para um universo estranho e adverso. Eles não sabiam as línguas, desconheciam os códigos culturais, sentiam-se deslocados e com…

Subsídiodependência

Num recém entrado nesta aventura dos blogs, o Fayal fui encontrar uma referência aos subsídios e da sua dependência, que se vive na sociedade açoriana, e que muito perturba o seu normal funcionamento.

Não é nada de admirar nesta sociedade globalmente dependente.
Tive em tempos a seguinte experiência, que me alertou para este assunto.
Tenho um terreno, com cerca de 1 hectare onde já estão plantados e muito crescidos cerca de 250 pinheiros. Mas como havia uma parcela deste terreno, cerca de um terço, que não tinha qualquer árvore, contactei alguns amigos desta área do saber, que me indicaram os serviços do Ministério da Agricultura onde deveria tentar informar-me sobre quais as espécies mais indicadas para plantar naquela região.
E qual não foi o meu espanto, que em cada um dos contactos estabelecidos, quer ao nível nacional e depois local, a resposta ao meu pedido começava sempre com esta lamentação:
- foi pena não ter ligado mais há mais tempo, porque acabou recentemente o prazo para …

Recomeçou o Futebol!

Neste verão a começar a arrefecer, fazendo lembrar que as férias também terão um fim, surge-nos de novo o Futebol Português.
E começou da melhor maneira, ou seja à portuguesa:
1. Por atraso da justiça desportiva o jogo do Belenenses e do Estrela da Amadora, ficou adiado.
Qualquer semelhança com os atrasos e imbróglios da nossa justiça, não desportiva, será pura coincidência.
2. Começou também com um arraial de porrada . As claques outra vez, e agora também da Académica.
Como os clubes não querem ter mão neste assunto, lá teremos este ano, as costumadas sessões de pancadaria entre claques, ou entre estas e a polícia. As claques, tal como as praxes académicas, não passam de figuras medievais, em que jovens que não tiveram tempo de brincar aos polícias e ladrões, enquanto crianças, aproveitam o ajuntamento de multidões para descarregarem a sua bílis.
3. Os árbitros, o costume, a deixarem andar a pancadaria em campo. O melhor é passar a ver a transmissões da liga inglesa e deixemos este…

Cegonhas americanas

Interroga-se a cibertúlia sobre a necessidade de envio de técnicos da EDP para Nova York para aí ajudar na procura das cegonhas que terão provocado o grande apagão de ontem.
Como se sabe da última experiência de apagões em Nova York, os americanos em vez de irem ver a TV, resolveram fazer filhos, e nove meses depois houve um grande congestionamento nas maternidades.
Creio até que seria interessante termos aqui em Portugal, de vez em quando, uns grandes apagões, e agora já seríamos 11 milhões.
Quem sabe se esta não será uma solução para fazer face ao decréscimo populacional nesta velha Europa a precisar de sangue novo.
ajp

Burocracia (2)

Um destes dias o jornal Público dava conta da demora de 10 dias de um qualquer despacho sobre a prisão de Paulo Pedroso, entre duas instâncias da justiça portuguesa.
Como se este tipo de demora não fosse o habitual na vida dos portugueses.
Quem de entre nós não teve já a grata experiência de ter qualquer coisa para resolver com os serviços públicos portugueses, ou de empresas de serviços, e não teve de esperar um horror de tempo para que os papéis passassem de um lado para o outro, até chegar a quem tem, finalmente, o poder de assinar, e depois de um carimbo ou selo branco lá temos o assunto a caminho da resolução.
Cada um de nós tem de certeza experiências interessantes que poderia contar.
Eu aproveito para relatar uma experiência interessante, mas ao contrário.
No início deste ano tive necessidade de criar uma empresa. Depois de uma consulta na Internet e de alguns conselhos de amigos, fui ao Centro de Formalidades de Empresas, e no prazo indicado, apenas 7 dias, tudo foi tratado…

Há festa na aldeia

No ano passado foi ano de incêndios nesta zona da Beira e quase não havia vontade de festejar. Mas este ano os fogos andaram mais longe e foi festa da rija.
Mas logo aqui se vê como vem ao de cima a organização dos portugueses.
Na mesma freguesia de apenas mil almas, foi possível, que devido às rivalidades entre as aldeias, se realizassem duas festas no mesmo fim de semana, a menos de cinco quilómetros uma da outra. Uma na sede da freguesia (Santo André das Tojeiras) e outra na maior aldeia da freguesia (Fonte Longa).
Assim aquilo que poderia ser uma grande, ou duas grandes festas, resulta em duas pequenas romarias.
Assim se vê a organização portuguesa.
Não nos podemos, portanto, admirar da nossa desorganização no combate aos incêndios.
Esta mentalidade está na massa do nosso sangue.
ajp