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Ler devagar

Um destes dias, no lançamento de um livro sobre os media, "Fogo sobre os Media" coordenado por J.M.Pureza e Francisco Ferrándiz, o jornalista Adelino Gomes, do jornal Público, fez uma comunicação, empolgada, profunda, excelente, sobre a sua experiência e estudo sobre estes fenómenos mediáticos.
Foi bom ver como, no meio de muita mediocridade que impera nos nossos media, vai havendo gente que sobre eles reflecte e produz pensamento. Os recentes acontecimentos que envolveram os jornalistas portugueses no Iraque, à volta da GNR, veio mostrar como andamos atrasados no tempo e sem preparação para actuar e perceber o que se passa em terrenos de guerra. O texto do operador de câmara da CBS, Mário de Carvalho, no domingo no Público, "Parem lá com isso!" foi bem esclarecedor das diferenças de entendimento do que deve ser uma reportagem na guerra.
É nestas discussões que os nossos media deveriam entrar, pramelhor informarem.
António J Paulino

A língua de um treinador

Dos jornais:
O Belenenses mudou de treinador.
O Manuel José arranjou um novo contrato das arábias e foi ganhar dinheiro, deixando a equipa de Belém.
Mas nisto do futebol há sempre alternativas. Há aí pelo mundo, sempre algum treinador disponível, normalmente despedido de outro clube, disposto a prosseguir carreira num outro país.
Foi o que aconteceu agora.
Desta vez, e para desenjoar dos brasileiros, que costumam parar pelo Belenenses, veio um sérvio, de seu nome Vladislav Bogievic.
Até aqui nada de especial, que não aconteça em muitos campeonatos.
Mas o mais interessante veio a seguir. Quando os dirigentes do Belenenses o apresentaram, além de salientarem as suas qualidades como treinador, disseram que o facto de ele falar castelhano, foi um factor decisivo para a sua contratação.
Estamos cada vez mais ibéricos e menos portugueses.
O castelhano é a língua mais falada na Península Ibérica, a bem dizer entendida por todos os povos que aqui habitam (bascos, galegos, catalães, portuguese…

Maturidade

Dos jornais de ontem vem a notícia da descoberta de dois cientistas neozelandeses de um etiquete que ao serem sensíveis aos aromas libertados pela fruta, nos podem indicar o seu estado de amadurecimento, mudando a cor.
Assim deixaremos de apalpar a fruta, que é sempre uma actividade de que todos gostamos, para saber se devemos comprar ou não.
Já estou a imaginar o que o futuro nos reserva. Etiquetas semelhantes, transformadas em apetrechos de vestuário, que vão indicando para o exterior o nosso estado de amadurecimento na vida, o nosso estado de espírito, o nosso humor. Assim saberíamos melhor como dialogar com os outros.
ajp

Seguranças

A CP, preocupada com a crescente insegurança que se vive em alguns comboios da noite, na linha de Sintra, contratou uma empresa de segurança para tentar dissuadir os energúmenos de atacar os passageiros e de destruiar as carruagens.
Parece que a Federação Portuguesa de Futebol vai contratrar a mesma empresa para acompanhar aos balneários os nossos jovens da bola, sub-21, que não são capazes de tomar duche sem deixarem a sua marca por onde passam.
Afinal as claques não passam de uns anjinhos...
ajp

Guias Turísticos

Coisas do passado.
Quem não se lembra de ver junto dos monumentos históricos um conjunto de turistas à volta de um ou uma guia turística, bem visível com um chapéu de chuva, ao alto, garrido, com a bandeira do país, para que ninguém se perdesse. E assim se guiavam esses descobridores do passado, de batalhas sangrentas, de lutas entre povos, visitados numas férias aprazíveis, longe das guerras actuais.
Mas as coisas vão mudando.
Hoje no Metro, entraram 27 japoneses.
Achei estranho todos terem um auricular. Todos a ouvir rádio ou um CD no Metro seria difícil... Só se fosse alguma explicação do Metro, como a que existe em alguns museus.
Afinal o que se passava era que estavam a ser rádio-comandados por uma guia, que com um pequeno emissor, lá os orientava à saída da carruagem, para mudarem de linha. Deveriam ir para a Baixa.
São estas as pequenas novidades tecnológicas que vão tele/rádio comandando as nossa vidas.
ajp

A GNR e o Iraque (2)

E como perguntava aquele meu amigo:
- E se for um guarda da GNR a apanhar o Saddam Hussein, que andava disfarçado a pedir à porta de uma mesquita no Iraque?
Então o ministro Figueiredo Lopes será, naturalmente, condecorado pelas Nações Unidas...
ajp

Miguel de Vasconcelos

No fim de semana ao ler os diversos comentários à recente cimeira ibérica, verifiquei que se vai chegando à conclusão, de que não passamos de um país lateral que para tudo precisa de passar por Madrid.
É nos comboios de alta velocidade [TGV], é no mercado ibérico de electricidade [MIBEL], é nas pescas, é em tudo o que nos pode levar a uma maior dependência de Espanha.
Miguel de Vasconcelos foi atirado da janela abaixo aquando da restauração da independência de Portugal, no 1º de Dezembro de 1640, acusado de traição por estar feito com os castelhanos.
Após 60 anos de subjugação, assim se cimentou na época, a ideia de que de Castela, nem bom vento nem bom casamento.
Mas estes recentes acontecimentos e a cada vez maior dependência do poder económico espanhol, irá certamente levar a uma inversão destes valores.
Será que o Miguel de Vasconcelos será brevemente reabilitado? Porque ele de facto teria tido a visão estratégica, mas muito adiantado para o seu tempo, de que o nosso futuro pass…