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Muito Obrigado a Tod@s [20]

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Ao fim destes 24 dias de cativeiro, acompanhado pela Endocardite, que agora deve estar quase a desaparecer, estou muito agradecido às muitas visitas que por aqui passaram (cerca de 70), aos outros amigos que têm telefonado e muitos e-mails, além dos 22 comentários que foram colocados neste blog. Assim tem sido mais fácil viver aqui.

Aproveito para partilhar aqui, um dos comentários recebidos de uma amiga, que enviou um poema, "para despertar o arco-íris que pode estar escondido, por detrás do horizonte dos que resistem mais a adaptar-se ao ambiente hospitalar, pois não deve ser nada fácil..."
Receita para fazer o azul

Se quiseres fazer azul,
pega num pedaço de céu e mete-o numa panela grande,
que possas levar ao lume do horizonte;
depois mexe o azul com um resto de vermelho
da madrugada, até que ele se desfaça;
despeja tudo num bacio bem limpo,
para que nada reste das impurezas da tarde.
Por fim, peneira um resto de ouro da areia
do meio-dia, até que a cor pegue ao fundo de metal…

O Hospital Pulido Valente e a Crise [19]

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Junto aos hospitais costuma estar um sinal de trânsito alertando para a proibição de buzinar nas suas proximidades. E isso é importante para o sossego dos doentes, já lhes bastando o barulho do movimento do tráfego rodoviário e aéreo durante todo o dia.No entanto, talvez para dinamizar a economia nestes tempos de crise, com mais investimento público, o Hospital Pulido Valente está a fazer obras no andar por debaixo daquele em que estou instalado, e é um barulho ensurdecedor durante todo o dia, com o partir de paredes e demais obras da grande remodelação que está a ser feita.

Claro que só pode ser para benefício dos doentes e do funcionamento do Hospital.
Assim o sinal que deveria estar à entrada do edifício onde estou a morar actualmente deveria ser este.

Nem toda a gente se dá bem por aqui [18]

A maioria dos meus vizinhos dá-se bem por aqui. Vamos conversando, trocando experiências e esperando ansiosamente pela alta hospitalar.
Para aqueles que vão estando mais desanimados, lá lhes vamos dando algum alento, contando histórias, algumas anedotas e partilhando as nossas vidas. E são os médicos, as enfermeiras e auxiliares que vão tentando explicar calmamente o que se está a passar, para que servem os tratamentos, e explicando a situação de cada doente, para que em cada momento se saiba o que está previsto acontecer.
Mas nem sempre é fácil. Há exames para fazer, há resultados que não batem certo. E o corpo humano não é bem um relógio em que cada uma das peças sabe exactamente o que tem de fazer. Às vezes, existem muitas interferências, e em especial nos mais idosos, os sintomas cruzam-se, e entram para aqui com um problema no coração mas já trazem atrás de si um manancial de doenças de difícil resolução.
Enfim quando se está nesta clausura durante muito tempo, sonha-se com a data d…

As coisas que se vêem daqui [17]

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Aqui deste meu posto de trabalho, em frente à TV, vou-me dando conta de certas coisas que passam ao longo do dia e que habitualmente não reparo.

Ontem quando a RTP 1 iniciou a reportagem sobre a festa do FC Porto, pela conquista do campeonato, com as imagens do estádio do Dragão, apareceu em rodapé:
FC PORTO TRETA CAMPEONATO

Só alguns segundos depois devem ter dado conta do erro, e então lá emendaram para
FC PORTO TETRA CAMPEONATO

Deve ter sido algum coração (verde ou encarnado) empedernido e muito triste por tal ocorrência que achou por bem dar largas à sua revolta com aquela atitude.
É certo que se foi usado o corrector ortográfico não se daria pela diferença.
Mas eu não tenho dúvida de que foi um campeonato bem ganho e sem tretas.
Mas assalta-me sempre uma dúvida. Como serão os campeonatos nacionais daqui a uns anos, quando o Pinto da Costa já não for o manda chuva. Tal como será a Madeira quando o Alberto João Jardim se reformar.
Tenho impressão que isto anda tudo ligado.

O Estado da minha Crise [16]

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Hoje é o 18º dia de permanência aqui.
Já recebi 117 doses de antibióticos, além de vários outros medicamentos para nivelar a tensão arterial, para proteger o estômago e para outras coisas que agora já nem me lembro para que servem.
Segundo parece, através das análises de sangue que vão sendo efectuadas, a bicharada que me atacou o coração, está a morrer aos poucos.

No resto do tempo vou-me mantendo ocupado com o trabalho da EDP, com a leitura de jornais, com visão de filmes e alguma TV. Alguns amigos têm-me questionado sobre o que é isso de estar no hospital (de baixa) e continuar a trabalhar. Tenho-lhes explicado que actualmente na minha empresa e na minha actividade em concreto, todo o trabalho passa necessariamente (e quase em exclusivo) pelo computador. Só ficam de fora as reuniões e as saídas em serviço para contactos. Assim aqui nos hospital recebo os trabalhos, faço os contactos por e-mail ou telefone e envio as respostas. Marco reuniões para outros lá irem e quase tudo se vai man…

As Aventuras de um Coração Atrapalhado / Pequenas histórias de vidas [15]

Aqui pela minha sala já passaram 8 doentes. Como já cá estou há 18 dias, já sou um veterano e vou vendo-os partir. Numa destas noites apareceu o sr. J, um jovem de 78 anos. Vinha do hospital de Elvas. Estava muito preocupado com o funcionamento deste hospital, que não conhecia. Não tinha cama e por isso começou por ficar numa maca na nossa sala.

Aprendi com o meu avô João Boita e com o meu pai, que é fundamental para quebrar o gelo numa relação, saber desde logo de onde vem, onde nasceu, qual a sua actividade, etc.
E logo nessa noite fiquei a saber que era do concelho de Marvão, mas da Portagem. Local que eu conheço bem por já lá ter acampado e tomado banho na pequena represa aí existente. E assim continuamos as nossas conversas partilhando conhecimentos.

E isto é o que vai acontecendo com quase todos os que por aqui passam.
Este convívio forçado pela doença leva-nos a conhecer estas pequenas histórias de vidas, que por acaso se cruzaram num serviço hospitalar.

A propósito das posições do Bispo de Viseu

O Bispo de Viseu fez recentemente algumas declarações sobre a utilização do preservativo no caso da SIDA, do divórcio, do enriquecimento ilícito, etc. que podem significar uma nova forma de ver estas questões e que merece um encorajamento.
Foi isso que fizemos nesta mensagem que lhe foi enviada por e-mail:

Sr Bispo
D. Ilídio Leandro,

Temos acompanhado com muito interesse as suas recentes declarações sobre a questão do preservativo, do divórcio, do enriquecimento ilícito, e demais posicionamentos que nos parecem muito interessantes. É certo que estas suas declarações, se vistas desgarradamente, levaram a pretensa divergência com a doutrina oficial.
A nós, e sem o conhecer, estamos convencidos de que se trata de muito mais do que isso.
Tal como disse a propósito da sua nomeação "sou um de entre vós e quero estar, viver e caminhar convosco e, para isto, quero contar com todos vós", e por isso aqui estamos a transmitir-lhe a nossa opinião.
Nos últimos anos, e principalmente após o Conc…