O Internamento [3]

E aqui estou eu, na sala 4, no meio de dois jovens de 88 e 75 anos, que aqui estão também para fazer reparações à máquina. Trata-se de um quarto para 3, com vista para as traseiras do Estádio de Alvalade, o que me vai permitir acompanhar as futuras vitórias em casa dos leões.
Temos um lavatório no quarto e casa de banho fica ao fim do corredor.
Só eu é que mexo bem, porque os outros dois colegas não se podem movimentar sem ajuda. O que quer dizer que tenho vantagens na ida para a casa de banho, nem é preciso correr
Temos uma TV LCD, mas com uma imagem um bocado difusa.

Todos os dias, e qualquer hora do dia, recebo uma dose de comprimidos, e os antibióticos injectáveis (penicilina e gentomicina). No 2º dia, fui picado 4 vezes, 2 em cada braço, para tirar sangue, e agora tenho uma estrutura de entrada permanente para se poder injectar os antibióticos, o que já é uma boa ajuda. É um bioneter (cateter endovenoso periférico).
É que eu com as minhas gorduras vou escondendo as veias o que torna difícil o trabalho das enfermeiras.

O Hotel funciona bem. Estamos sempre a ser chamados para comer: pequeno-almoço, almoço, lanche, jantar e ceia. A comida é típica dos hospitais, sem sal, alterna entre peixe e carne, fruta e doces com pouco açúcar, bolachas, leite ou chá.
E vem em boas quantidades, o que para mim que estou fraquinho, acaba por ser demasiado. Mas o melhor é não me queixar das doses, como diz um amigo, porque sabe-se lá quando é que eu vou ficar com apetite, e então pode não chegar.

No dia 25 de Abril voltei a ouvir falar muito da Crise. O meu receio é que um dia destes entre por aí a ministra da Saúde, Ana Jorge a reclamar os excessivos gastos que está a ter com a minha saúde.
Como não há muito para fazer, aproveitei para ver toda a cerimónia solene na Assembleia da República.
Foi uma seca.
Ninguém se vai lembrar mais dos discursos dos representantes dos partidos, porque o que interessa são os novos recados que o Presidente da República possa dar. Aquele cerimonial protocolar de iniciar o discurso com a indicação de que se estão a dirigir às personalidades mais importantes presentes (senhor Presidente da República, senhor Presidente da Assembleia da República, senhor Primeiro-Ministro, senhor Procurador-Geral da República, e por aí fora), com a esquerda a incluir os representantes da Associação 25 de Abril, e a direita a referir-se ao Núncio Apostólico, é de um ridículo que não se percebe nos dias de hoje.

Mas ninguém se dirigiu aos doentes que nos hospitais ou nos lares, não têm mais nada que fazer e então fazem o favor de aturar aqueles discursos a fazer tempo para o almoço. Deviam ser os primeiros a ser tidos em conta nos discursos, mas não.

Comentários

Anónimo disse…
Aqui vai uma postinha de pescada, para animar o meu amigo: ora estar doente e hospitalizado não tem só a vantagem de seguir de perto os discursos mais anacrónicos; tem também o privilégio de virmos ler o teu blog e escrever umas "secas", para ajudar a passar o tempo.
Gabo-te a boa disposição e saberes aproveitar o tempo. Força! Beijinhos
Luis disse…
Se ajudar alguma coisa...
Um abraço do
Luis

Para o que te aprouver: 937831010
Sushi Master disse…
Sempre com boa disposição, como é hábito!!
Como diriam os Monty Python: "Always look at the bright side of life"! :)

Um grande abraço, e as melhoras!
Tiago.
B|g EyE F|sH disse…
As Melhoras!

Abraço, Carlos Roque

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