O regresso [4]

Da minha passagem pela UCI recordo poucas coisas. É a vantagem de estar mais para lá do que para cá. Fiquei por lá 20 h.
Tinham-me avisado de que iria acordar entubado. Mas afinal havia ainda um outro tubo, que entrava pelo nariz, uma sonda naso-gástrica, que creio que serve para retirar algum entulho que se possa acumular no estomâgo, e que possa estar a estorvar. Além deste ainda tinha dois tubos a drenar para um garrafão e que iam vazando as impurezas que se acumulam durante a operação, além da algália.
Mas o mais difícil foi a sensação de sede. Só me vinham à minha pouca memória, na altura, os filmes Lawrence da Arábia e O Paciente Inglês e as suas imagens de pessoas no deserto a morrer de sede. E eu não podia beber água. Restou-me a fraca consolação de me molharem os lábios (gretados) com uma esponja molhada.
O resto, à minha volta, eram os monitores que vão dando indicação do estado geral, tensão arterial, pulsação e outros dados que ajudam a equipa de vigilância, a manter tudo dentro dos eixos. Sei que tinha alguns vizinhos, porque ouvia constantemente os alarmes, meus e dos outros, mas a sonolência foi mais forte, e não lhes pude desejar as melhoras.

Comentários

Anónimo disse…
Acredito q qdo te tiraram a sonda do nariz melhoraste alguns 20%; tubo na goela só qdo fiz endoscopias (apre!)mas deves ter melhorado 30% ao retirá-lo; ao retirar a algália melhorste mais mais 10%; e, finalmente, retirados os drenos mais 20%. O que sobra é para os antibióticos intravenosos e para os pensos.

Ab
João Fontes

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