Os 21 segundos da nossa imaginação

Anda tudo a mudar por aí, na comunicação social.
Agora foi a Antena 1 a mudar o seu inconfundível sinal horário. Era bem demorado. 21 segundos. Com os primeiros “pis” de 5 em cinco segundos, aos 21”, 16”, 11” e 6”, e o “pi” mais curto à hora certa. E creio que esta hora, é mesmo certa.
Não tem nada a ver com o que se passa com outras rádios, até mesmo a TSF, que se interessam mais com a colocação da publicidade antes ou depois dos noticiários, sem se preocuparem a exactidão da hora que nos rege. Longe vai o tempo, em que este sinal horário da antiga Emissora Nacional, rivalizava com o sincopado sinal do antigo Rádio Clube Português (que até servia de padrão, por exemplo para alguns ralies de automóveis),
É certo que mais segundo menos segundo, para o comum dos mortais, não terá muito significado.
No entanto, andar com o relógio acertado, mesmo ao segundo, é um preciosismo que ajuda à pontualidade, que é, como todos sabemos, algo que muita falta faz aos portugueses.

Mas o jornalista Adelino Gomes, chama a atenção, hoje mesmo no Público, num comentário muito interessante, que a razão para a mudança estará na “excessiva duração do "velho" sinal horário”. Como se nos fizessem falta estes 16 segundos para algum anúncio. Hoje ninguém entende “que aqueles momentos sem palavra antes da hora eram, num tempo de frenesim e caos informativo, a pausa de reflexão, o sereno respirar fundo que nos prepara para a entrada numa outra hora do resto das nossas vidas...”
Faz-me lembrar a situação que encontramos nos elevadores das empresas, à entrada da manhã, e até durante o dia.
Entram várias pessoas, cada uma a pressionar o botão do andar onde vai sair. O último a entrar é então olhado por todos os outros, para ver se não se esquece de pressionar também o botão que fecha a porta do elevador. E com isto poupa-se cerca de 1 segundo, no arranque da viagem. E assim sucessivamente.
Ou seja, ao longo do dia, e num prédio de 10 andares, e se por absurdo tivéssemos de parar em todos os andares, 4 vezes por dia, estaríamos a poupar cerca de 40 segundos.
E o que faremos nós com estes 40 segundos por dia.


Faz-me lembrar um dos capítulos do Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry, quando o Principezinho encontra um vendedor de umas pílulas que aliviavam a sede. Bastava tomar uma por semana e lá se ia a necessidade de beber.
E o Principezinho, perguntou ao vendedor:
- Porque é que vendes isso?
- Porque é uma grande economia de tempo. Os cálculos dos especialistas, dizem que se pode poupar 53 minutos por semana.
- O que é que fazemos com esses 53 minutos?
- Fazemos o que quisermos.
- Eu, disse então o Principezinho, se tivesse 53 minutos para gastar, iria devagarinho até uma fonte.

ajp

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