Será que devo pressionar os médicos? [22]

Ao fim deste tempo no hospital, estou mais sensível às modas que a política portuguesa nos mostra nos meios de comunicação social. É que lá por fora o barulho do dia a dia vai esbatendo tudo isto.

Quando aqui cheguei foram os empurrões do 1º de Maio. E foi um corrupio de aproveitamentos.
Empurrem-no muito que nós precisamos de ganhar as eleições. Exigimos que nos peçam desculpa. Não pedimos desculpa, porque eles é que nos devem pedir desculpa.
E no final talvez tenha sido a RTP Memória que ganhou com a exibição das cenas antigas de Mário Soares na Marinha Grande.

Depois foram as guerras no Bairro da Bela Vista. É um caso social ou um caso de polícia?
E aqui os partidos e certas personalidades vão dando palpites.
São os pobres que roubam carros, arranjam armas automáticas e vão assaltar ourivesarias, multibancos e estações de gasolina ?
Ou são gangues de jovens delinquentes que vivem apenas desta forma de vida, e que não têm relação com a gente honesta e talvez pobre que vive na vizinhança ?

Também tivemos a decisão do Manuel Alegre.
Segurem-me senão vou fazer um novo partido.
Afinal seguraram-no e não vai fazer nada de novo e vai ficar à espera que o escolham para candidato à Presidência da República.
Tenho dificuldade em perceber todas estas indecisões de quem passou todo o tempo de deputado no mesmo partido, de vez enquando a fazer as suas diabruras, mas sem nunca sair. Tenho a impressão que quando existem convicções fortes, e se elas não são aceites pelo partido, o melhor seria partir para outra.
Mas é difícil deixar o poder e o permanente protagonismo.
É por isso que há sempre muitos candidatos a presidentes dos clubes de futebol.

Mas também temos as pressões sobre o Freeport.
Anda-se para aí a gastar tempo precioso de investigação a ver se num almoço, alguém mandou uma boca do estilo: despachem-se lá com esta coisa, senão ainda vão acabar de investigar isto depois do caso Casa Pia.
Coitadinhos dos procuradores que não podem ser empurrados para investigar. O melhor é não irem à manifestação do 1º de Maio…
Há coisas, que vistas aqui do hospital não se percebem bem. Afinal o que interessa não é saber se houve ou não dinheiro por baixo da mesa para aprovar aquilo ?
A não ser que os eventuais implicados tenham fábricas de fazer notas, o melhor era espiolhar as contas e ver se houve ou não movimentos suspeitos e que se possam investigar.

Pronto, mas isto é um doente do coração a querer simplificar…

Mas agora estou a pensar se devo pressionar aqui os médicos para se despacharem em relação à minha doença.
Mas e se eles embirrarem e resolverem pedir um inquérito.

Ainda me arrisco a ficar aqui à espera, até que o Benfica ganhe um campeonato.

Comentários

a.sáxeo disse…
Pelo que me apercebo, já estás tão farto da cultura do país como da endocardite.
Pois tenho eu duas notícias (caso o sejam) para te dar, uma boa e outra má.
A boa é que a tua endocardite está quase curada.
A má é que a cultura do país está aí para durar.

Que porcaria de herança vamos deixar aos netos quando os tivermos!!!

Um abraço

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